10 PROVÁVEIS temas filosóficos

Redação FCC: 10 PROVÁVEIS temas filosóficos para 2027

Fundação Carlos Chagas (FCC) 26 min de leitura

Resposta rápida

A banca FCC costuma formular temas abstratos, em frases curtas e, muitas vezes, com uma coletânea enxuta. Por isso, o candidato que estuda apenas assuntos…

Redação FCC: 10 PROVÁVEIS temas filosóficos para 2027

A banca FCC costuma formular temas abstratos, em frases curtas e, muitas vezes, com uma coletânea enxuta. Por isso, o candidato que estuda apenas assuntos atuais pode chegar à prova sem preparo para discutir conceitos como liberdade, perdão, convivência e tempo. Esses conceitos exigem definição, posição e argumento.

Este artigo apresenta 10 temas filosóficos com grande afinidade com o perfil da FCC e que merecem treino antes da prova. Nenhuma lista garante o que a banca vai cobrar. Por isso, os temas foram escolhidos pela semelhança com o modo como a FCC costuma montar as suas propostas.

Para cada tema, você verá o enunciado provável, uma breve consideração sobre o assunto, o conceito central que o sustenta e a conexão com o perfil da banca. O conteúdo serve para a redação dos concursos de tribunais e de outros órgãos que contratam a FCC. O panorama geral da prova está no guia completo da redação FCC.

Conheça os nossos cursos completos de redação para concursos públicos. Clique aqui

Por que a redação FCC cobra temas filosóficos?

A FCC prefere propostas que obrigam o candidato a pensar. Em vez de pedir um relato sobre um problema conhecido, a banca apresenta uma ideia abstrata e pede um posicionamento. O candidato precisa definir o conceito, escolher um lado e sustentar essa escolha com argumentos próprios. Esse formato reduz o espaço para textos decorados e valoriza a análise.

Há ainda uma marca recorrente nas propostas. Mesmo quando o tema parece abstrato, ele costuma ter um fundo de crítica social. A banca quer saber como o candidato enxerga uma tensão da vida coletiva, como a relação entre indivíduo e sociedade, entre liberdade e responsabilidade ou entre o interesse particular e o bem comum.

Um exemplo mostra esse padrão. Numa prova anterior de TRE, a banca FCC cobrou o tema “O espaço público e a renúncia individual em favor do bem coletivo”. A coletânea tinha apenas um texto de apoio, ligado à ideia de pacto social de Rousseau. O tema era filosófico, mas pedia exemplos concretos da vida na cidade.

Esse caso ensina que o conceito sozinho não basta. O corretor espera ver a ideia abstrata aplicada a situações reais. Quem escreve apenas sobre “liberdade” em termos genéricos perde pontos no recorte temático. Quem mostra como a liberdade se exerce em decisões, em instituições e em hábitos cotidianos demonstra capacidade de análise.

Favo com o perfil FCC no centro e seis traços: tema abstrato, coletânea enxuta, crítica social, recorte preciso, repertório explicado e norma-padrão.

Figura 1. Traços do perfil da FCC presentes nos temas filosóficos.

O que significa dizer que um tema é filosófico?

Um tema é filosófico quando gira em torno de um conceito que admite mais de uma definição e de uma posição. “Perdão”, “liberdade”, “paz” e “tempo” são exemplos. Cada um pode ser definido de formas diferentes e levar a conclusões opostas. Por isso, a primeira tarefa do candidato é dizer o que entende pelo termo central.

Nem todo tema da lista segue o mesmo modelo. Alguns trazem uma pergunta, outros um paradoxo e outros uma frase de efeito. Em todos os casos, porém, o candidato precisa tomar uma posição argumentável, ou seja, uma tese que admita discordância. Uma afirmação com a qual todos concordam não sustenta um texto.

Quais traços do perfil da FCC aparecem nos dez temas?

Os dez temas compartilham quatro traços. O primeiro é a formulação enxuta, que deixa ao candidato a tarefa de interpretar. O segundo é o recorte preciso, que costuma vir em palavras como “desafios”, “caminhos”, “opostos ou complementares” e “condicionado ou limitado”. O terceiro é a dimensão social. O quarto é a abertura para posições diferentes, desde que bem justificadas.

Esses traços explicam por que a banca valoriza o tópico frasal com o núcleo do tema, o repertório explicado e a progressão das ideias. O método de leitura do recorte está detalhado em recorte temático na redação FCC e como identificá-lo. Quem domina esse método consegue adaptar o raciocínio a qualquer um dos temas da lista.

Conheça os nossos cursos completos de redação para concursos públicos. Clique aqui

Como usar esta lista de temas sem decorar redações?

O objetivo da lista não é fornecer textos prontos. O objetivo é treinar o raciocínio que a banca exige. A FCC pode mudar a formulação, trocar o conceito ou combinar dois temas em uma única proposta. Quem decorou um texto fica sem saída. Quem treinou o método consegue reagir a uma proposta nova.

O treino ideal segue uma sequência fixa para cada tema. Primeiro, o candidato lê o enunciado e marca o núcleo e o recorte. Depois, define o conceito central com as próprias palavras. Em seguida, escolhe uma tese e dois argumentos. Só então seleciona um repertório que prove cada argumento. A escrita vem por último e a revisão encerra o ciclo.

Três pastas escalonadas com as famílias de temas: indivíduo e escolha, saber e tecnologia, convivência e infância.

Figura 2. Famílias de temas para organizar o estudo.

Os dez temas podem ser agrupados em três famílias. A primeira trata do indivíduo, do sofrimento e da escolha. A segunda reúne saber, tecnologia e cultura. A terceira discute convivência, paz, perdão e infância. Estudar por família ajuda a reaproveitar conceitos. Um argumento sobre liberdade, por exemplo, serve tanto ao paradoxo da escolha quanto ao tema das telas e dos algoritmos.

Outra vantagem do estudo por família é a economia de tempo. Ela permite que o candidato reveja os mesmos conceitos em contextos diferentes e perceba o que se repete entre as propostas. Em vez de preparar dez repertórios isolados, o candidato monta três blocos de ideias e de autores. Cada bloco sustenta vários temas. Essa lógica também reduz o risco de citar de forma superficial, porque o candidato conhece bem poucos autores em vez de conhecer mal muitos.

Quantos temas devo treinar por semana?

Dois temas por semana são suficientes para a maioria dos candidatos. Cada tema deve gerar um projeto de texto completo, com tese, dois argumentos e repertório. A cada duas semanas, escreva uma redação inteira e corrija-a com os critérios da banca. Essa rotina cobre os dez temas em cinco semanas e deixa tempo para revisão.

Na correção, avalie três pontos. Verifique se o tópico frasal de cada parágrafo contém o núcleo do tema. Confira se cada repertório vem acompanhado de uma explicação. Por fim, observe se a conclusão retoma a tese sem repetir frases da introdução. Anote os erros recorrentes e use essa lista como roteiro da semana seguinte.

Faixa de cinco setas com a ordem recorte, conceito, tese, repertório e escrita.

Figura 3. Sequência de treino para cada tema da lista.

Temas sobre o indivíduo, o sofrimento e a escolha

Os três primeiros temas partem da experiência individual. Eles tratam da angústia, da mudança pessoal e da dificuldade de decidir em um mundo de muitas opções. A FCC costuma explorar essa família porque ela permite avaliar se o candidato equilibra a responsabilidade individual com as condições sociais que moldam as decisões.

Tema 1 | Estratégias para lidar com as angústias da vida moderna

Tema provável. “Estratégias para lidar com as angústias da vida moderna”.

A angústia é um sofrimento difuso, que não tem um objeto claro. Freud, em *O mal-estar na civilização*, afirma que a vida em sociedade exige renúncias e que essas renúncias produzem sofrimento (FREUD, 2010). A vida moderna acrescenta pressões atuais, como a cobrança por desempenho, a insegurança econômica, o excesso de informação e a comparação constante nas redes.

O tema pede estratégias. Esse é o recorte. Quem descreve apenas o sofrimento tangencia o tema. A conexão com o perfil da FCC está no equilíbrio entre os planos. Um bom texto propõe ações individuais, como limites de uso de telas e cuidado com o sono, além de ações coletivas, como serviços de saúde mental e jornadas de trabalho compatíveis com a vida.

Tema 2 | Mudar a si mesmo para mudar o mundo

Tema provável. “Quando você parar de esperar que o mundo mude e começar a mudar a si mesmo, algo mágico acontece: o mundo ao seu redor começa a mudar também”.

Este tema vem em forma de frase, sem pergunta. A banca costuma usar esse formato para exigir que o candidato formule a própria tese. A frase defende que a transformação pessoal produz transformação social. O candidato deve avaliar até onde isso é verdadeiro. A autoria desse tipo de frase circula sem fonte segura. Por isso, convém não atribuí-la a ninguém.

Hannah Arendt oferece um bom ponto de apoio. Para ela, cada ser humano que nasce é um novo começo. A ação humana pode iniciar algo no mundo comum (ARENDT, 2010). Mas essa ação só tem efeito na presença de outras pessoas. Assim, a mudança pessoal é condição necessária e não suficiente. O trecho “algo mágico” merece crítica, porque transformações coletivas exigem organização, instituições e tempo.

Tema 3 | Paradoxo da escolha

Tema provável. “Paradoxo da escolha: entre o excesso de liberdade e a dificuldade da tomada de decisões”.

Barry Schwartz sustenta que o excesso de opções pode gerar paralisia, arrependimento e insatisfação (SCHWARTZ, 2004). Pesquisas posteriores discutem a amplitude desse efeito. Essa ressalva fortalece o texto. Do lado oposto, Sartre afirma que o ser humano está “condenado a ser livre”, pois não pode evitar a responsabilidade pelas próprias escolhas (SARTRE, 1973).

A expressão “entre X e Y” pede a análise dos dois polos e uma síntese. O candidato não deve concluir que a liberdade é um mal. Pode defender que a liberdade só se exerce bem quando há condições, como informação confiável, critérios claros e educação para decidir. A banca valoriza esse tipo de conclusão, porque ela mostra domínio do recorte e posição própria.

Conheça os nossos cursos completos de redação para concursos públicos. Clique aqui

Temas sobre saber, tecnologia e cultura

Os três temas seguintes tratam das formas de conhecer, do uso do tempo na era digital e do papel da arte diante de problemas coletivos. A FCC costuma cruzar áreas do conhecimento. Essa família mostra bem a tendência. O candidato precisa conectar ideias que, à primeira vista, parecem distantes.

Tema 4 | Saberes ancestrais e ciência

Tema provável. “Saberes ancestrais e ciência são opostos ou complementares para o desenvolvimento integral do ser humano?”

A pergunta oferece uma alternativa fechada. A banca espera, por isso, uma resposta clara. Boaventura de Sousa Santos defende uma “ecologia de saberes”, em que formas diferentes de conhecimento convivem e se enriquecem (SANTOS, 2007). Edgar Morin lembra que a educação precisa enfrentar as incertezas e reconhecer a complexidade do humano (MORIN, 2000). A Constituição também protege os “modos de criar, fazer e viver” como patrimônio cultural (BRASIL, 1988).

O recorte está em “desenvolvimento integral”. Ele exige tratar de dimensões como saúde, cognição, cultura e ética. Uma tese segura defende a complementaridade, com ressalvas. A ciência oferece método e revisão constante. Os saberes ancestrais oferecem experiência acumulada e vínculo com o território. O candidato deve evitar romantizar uns e desqualificar outros.

Tema 5 | Perda do controle do tempo para as telas e os algoritmos

Tema provável. “Estamos perdendo o controle do nosso próprio tempo para as telas e os algoritmos?”

Hartmut Rosa descreve a aceleração social como uma característica central da modernidade, na qual o tempo parece sempre escasso (ROSA, 2019). Shoshana Zuboff mostra como plataformas coletam dados e usam esse material para prever e modelar comportamentos (ZUBOFF, 2020). Recursos como a rolagem infinita e as notificações são exemplos de desenho voltado ao engajamento.

O núcleo do tema é a autonomia sobre o tempo. Quem escreve apenas sobre vício em celular afasta-se do recorte. A tese mais consistente reconhece que há perda parcial de controle e que ela não é inevitável. As respostas passam pelo letramento digital, pela transparência dos algoritmos e pela regulação das plataformas. A FCC valoriza essa posição, porque ela evita o tom alarmista.

Tema 6 | A literatura e a crise ambiental

Tema provável. “A literatura pode contribuir para o enfrentamento da crise ambiental?”

Amitav Ghosh argumenta que a ficção literária, em geral, tratou pouco da mudança climática e que essa lacuna precisa ser discutida (GHOSH, 2016). Rachel Carson, por outro lado, uniu rigor científico e prosa cuidadosa em *Primavera silenciosa* e provocou um debate público amplo sobre o uso de pesticidas (CARSON, 1962). Antonio Candido sustenta que a literatura humaniza, pois amplia a sensibilidade e a capacidade de compreender o outro (CANDIDO, 1995).

O tema cruza arte e meio ambiente. A FCC costuma valorizar essas conexões. O recorte está na palavra “enfrentamento”. O candidato precisa indicar contribuições concretas, como a formação de sensibilidade, a ampliação do imaginário e a mobilização do debate. Também deve reconhecer o limite. A literatura não substitui a ciência nem as políticas públicas.

Conheça os nossos cursos completos de redação para concursos públicos. Clique aqui

Temas sobre convivência, paz, perdão e infância

A terceira família reúne os temas de maior carga social. Eles tratam de como as pessoas vivem juntas, de como resolvem conflitos, de como reparam ofensas e de como protegem a infância. É a família em que a crítica social da FCC aparece com mais força. Ela também exige cuidado com posições políticas, porque o texto deve argumentar sem atacar pessoas ou partidos.

Tema 7 | O caráter gregário da vida em sociedade

Tema provável. “O caráter gregário da vida em sociedade: simultaneamente problema e solução”.

Aristóteles afirma que o ser humano é, por natureza, um animal político (ARISTÓTELES, 1985). Kant fala em “insociável sociabilidade”, ou seja, a tendência humana de buscar a companhia dos outros e, ao mesmo tempo, de resistir a ela (KANT, 1986). Esse conflito, para Kant, move o desenvolvimento das capacidades humanas. A ideia ajuda a sustentar os dois lados do tema.

A expressão “problema e solução” exige dupla abordagem. A vida em grupo é problema quando gera conformismo, pressão social, exclusão e conflito. É solução quando permite cooperação, proteção e criação de instituições. Um texto que trate de apenas um lado perde pontos em análise. A conclusão pode defender que regras justas e diálogo transformam o problema em solução.

Tema 8 | Cultura da paz

Tema provável. “Cultura da paz: desafios e possíveis caminhos na sociedade atual”.

A Assembleia Geral da ONU definiu a cultura de paz como um conjunto de valores, atitudes e comportamentos que rejeitam a violência e promovem o diálogo (ONU, 1999). Johan Galtung distingue a paz negativa, que é a ausência de violência direta, da paz positiva, que inclui justiça social e superação da violência estrutural (GALTUNG, 1969). Essa distinção amplia a análise.

O tema traz dois recortes, “desafios” e “caminhos”. A estrutura natural reserva um parágrafo de desenvolvimento para cada um. Entre os desafios, o candidato pode citar a violência urbana, a desigualdade e os discursos de ódio. Entre os caminhos, pode indicar a educação para a mediação de conflitos, a justiça restaurativa e as políticas sociais. Esse desenho facilita a progressão e a proposta final.

Tema 9 | O perdão e seus limites

Tema provável. “O perdão é um ato que pode ser condicionado ou limitado?”

Hannah Arendt trata o perdão como a faculdade que permite desfazer as consequências do passado e recomeçar. Sem ele, as pessoas ficariam presas a um único ato (ARENDT, 2010). A autora também reconhece que certos atos escapam tanto da punição quanto do perdão. Essa ressalva oferece um limite filosófico ao tema.

A pergunta contém dois termos, “condicionado” e “limitado”. O candidato precisa tratar ambos. Pode defender que o perdão depende, em muitos casos, de arrependimento e de reparação. Perdoar não equivale a aceitar a impunidade. Também deve separar o perdão entre pessoas do tratamento dado pelas instituições. Essa separação mostra rigor conceitual e evita generalizações.

Tema 10 | A adultização de crianças e adolescentes

Tema provável. “A adultização de crianças e adolescentes no Brasil”.

Neil Postman sustenta que a infância é uma construção histórica e que a mídia pode apagar a fronteira entre o mundo infantil e o adulto (POSTMAN, 1999). No Brasil, a Constituição assegura à criança e ao adolescente prioridade absoluta. O Estatuto da Criança e do Adolescente consagra a proteção integral (BRASIL, 1988) (BRASIL, 1990). Esses dois textos dão base jurídica ao tema.

A expressão “no Brasil” pede dados do contexto nacional. As manifestações do fenômeno incluem a exposição em redes sociais, o trabalho artístico precoce, a erotização e a cobrança de desempenho. A tese pode apontar a responsabilidade compartilhada entre família, sociedade, Estado e plataformas. A proposta final deve ser viável e indicar quem executa cada ação.

Conheça os nossos cursos completos de redação para concursos públicos. Clique aqui

Quadro-resumo dos 10 temas e do conceito de cada um

O quadro reúne o conceito central e o que a banca tende a pedir em cada tema. Use-o para revisar e para planejar o treino semanal. Se um conceito não estiver claro, volte ao tema e escreva a definição com as suas palavras. Essa prática é a que mais ajuda na prova. A definição própria força o candidato a entender o conceito. A compreensão é o que permite adaptar o raciocínio quando a banca altera a formulação do tema.

Tema

Conceito central

O que a banca tende a pedir

Angústias da vida moderna

Mal-estar

Estratégias individuais e coletivas

Mudar a si para mudar o mundo

Ação e natalidade

Limites da mudança individual

Paradoxo da escolha

Liberdade e decisão

Análise dos dois polos

Saberes ancestrais e ciência

Ecologia de saberes

Posição sobre oposição ou complementaridade

Telas e algoritmos

Autonomia sobre o tempo

Perda parcial de controle e respostas

Literatura e crise ambiental

Humanização

Contribuição concreta e limites

Caráter gregário

Insociável sociabilidade

Problema e solução

Cultura da paz

Paz positiva

Desafios e caminhos

Perdão

Recomeço e reparação

Condições e limites

Adultização

Infância

Contexto brasileiro e proposta

Observe que todos os temas pedem uma tese e uma tensão. Nenhum aceita um texto descritivo. A banca avalia se o candidato consegue transformar um conceito abstrato em argumento. Por isso, a pergunta mais útil ao estudar cada tema é “qual posição eu defendo e por quê?”. Se a resposta não vier em uma frase, o planejamento ainda está incompleto.

O quadro também mostra que os conceitos se repetem entre os temas. Liberdade, responsabilidade, reparação e proteção aparecem em vários deles. Dominar esses conceitos reduz o esforço de estudo e aumenta a segurança na hora de escrever. Quem conhece bem dez conceitos consegue enfrentar dezenas de formulações diferentes.

Por fim, use o quadro para conferir a sua tese de cada tema. Escreva uma frase de posição ao lado do conceito central e verifique se ela responde ao que a banca tende a pedir. Se a frase apenas descreve o assunto, reescreva-a até que afirme algo que alguém poderia contestar.

Como transformar um tema filosófico em tese e argumentos?

A transformação segue três passos. O primeiro é converter o tema em uma pergunta que admita mais de uma resposta. O segundo é escolher a resposta e escrever uma tese que a afirme. O terceiro é encontrar duas razões, cada uma com um repertório que a comprove. Esse caminho serve para todos os temas da lista.

A ordem importa. Quem escolhe o repertório antes da tese tende a adaptar a posição ao autor que conhece e se afasta do recorte. Quem define a tese primeiro seleciona apenas o repertório que a sustenta. Por isso, a pergunta inicial deve vir do próprio tema, com as palavras que ele usa. A resposta deve ser formulada em uma frase completa.

Veja como fica no tema do perdão. O tema “O perdão é um ato que pode ser condicionado ou limitado?” vira a pergunta “em que condições o perdão se justifica e onde ele termina?”. A tese pode afirmar que o perdão é condicionado, em geral, ao reconhecimento do erro e à reparação. Também tem limites nos atos que ferem a dignidade humana de modo extremo.

Projeto de texto para o tema do perdão

Tese. O perdão tem condições e limites, pois depende de reconhecimento do erro e não apaga a responsabilidade pelos atos mais graves.

Argumento 1. A reparação dá sentido ao perdão. Repertório com o recomeço descrito por Arendt.

Argumento 2. Há atos que escapam ao perdão e exigem resposta institucional. Repertório com a distinção entre perdão pessoal e justiça.

Fecho. Retomada da tese e proposta de práticas restaurativas.

Observe que o projeto tem poucas peças. Uma tese, duas razões e dois repertórios bastam para um texto de nota alta. O que diferencia a redação é a explicação de cada peça. Cada repertório precisa ser ligado ao argumento por uma frase de análise, que diga o que a ideia prova. A citação solta não conta como argumento.

Qual é a melhor posição para cada tema?

Não existe posição certa. A banca avalia a qualidade da justificativa e a fidelidade ao recorte. Uma tese equilibrada costuma funcionar melhor do que uma tese radical, porque admite exceções e ainda assim se posiciona. Evite respostas como “depende”, sem dizer do que depende. Quando usar uma ressalva, explique-a em uma frase e volte à tese.

Conheça os nossos cursos completos de redação para concursos públicos. Clique aqui

Quais erros evitar ao escrever sobre temas filosóficos?

Os temas abstratos geram erros típicos. Conhecê-los antes da prova economiza pontos. Cinco erros aparecem com frequência nas correções e podem ser evitados com treino simples. A maior parte nasce da pressa. O candidato lê o tema, reconhece o assunto e começa a escrever o que sabe, sem verificar o que a proposta pede. Dois minutos de leitura atenta antes do rascunho eliminam boa parte dessas falhas.

Definir o conceito pelo dicionário

Abrir o texto com “segundo o dicionário” gera um começo previsível e pouco analítico. A banca espera uma definição que serve ao argumento. Explique o conceito em uma frase e mostre por que essa definição leva à sua tese. Se usar uma definição de autor, indique de quem é e relacione-a ao recorte.

Citar autores sem explicar

Colocar o nome de um filósofo ao lado de uma ideia não é argumento. O corretor precisa ver o que o autor sustenta e como isso apoia a tese. Prefira poucos autores bem explicados. A banca também adverte contra a citação excessiva. Uma atribuição errada pesa contra o candidato. Em caso de dúvida sobre a autoria, escreva a ideia com as suas palavras.

Fugir do recorte

Cada tema da lista tem uma palavra que delimita a tarefa. Em “desafios e caminhos”, são duas partes. Em “condicionado ou limitado”, são dois adjetivos. Em “no Brasil”, é o contexto nacional. Quem ignora essa palavra tangencia o tema. A solução é sublinhar o recorte e usá-lo no tópico frasal de cada parágrafo.

Adotar uma tese neutra

Textos que listam opiniões sem escolher uma perdem pontos em posicionamento. Mesmo nos temas com dois polos, a banca espera uma tese. A tese pode ser matizada, mas precisa ser visível na introdução e retomada no fecho. O método para construí-la está em tese na redação FCC e como prová-la.

Moralizar o texto

Temas como perdão, paz e infância convidam ao tom de sermão. O texto passa a repetir que “todos devem ser bons” e deixa de analisar. Use verbos de análise, como “explica”, “demonstra” e “limita”. Evite ordens ao leitor. Uma redação objetiva, com causas e consequências, convence mais do que um discurso de boas intenções.

Perguntas frequentes

Esses 10 temas vão mesmo cair na prova?

Ninguém pode garantir. A lista reúne temas com grande afinidade com o perfil da FCC, mas a banca pode escolher outros. O valor do treino está nos conceitos e no método, que se aplicam a qualquer proposta abstrata.

Preciso decorar um repertório para cada tema?

Não. Prefira dominar poucos conceitos e poucos autores. Um mesmo conceito pode sustentar vários temas. O mais importante é saber explicar a ideia e ligá-la ao argumento.

A FCC exige a citação de filósofos?

Não. A citação é opcional e deve ser usada com moderação. Um repertório bem explicado ajuda, mas um argumento sólido com exemplos concretos também recebe boa avaliação.

Posso usar esta lista para concursos de outras bancas?

Pode usar o raciocínio, mas cada banca tem critérios próprios. A lista foi pensada para o perfil da FCC. Em outras bancas, confira o edital e adapte a estrutura exigida.

Como treinar sem coletânea?

Escreva o tema em uma folha e produza você mesmo dois ou três textos de apoio curtos, com ideias diferentes. Depois, escreva a redação respondendo a eles. Esse exercício aproxima o treino da prova.

Devo propor uma solução em todos os temas?

Nem sempre. A proposta é indicada quando o tema apresenta um problema, como os temas de paz, infância e telas. Em temas conceituais, como o perdão, a conclusão pode retomar a tese e indicar uma consequência prática.

Principais pontos

  • ➢ A FCC prefere temas abstratos, com recorte preciso e fundo de crítica social.

  • ➢ Os dez temas formam três famílias: indivíduo e escolha, saber e tecnologia, convivência e infância.

  • ➢ Cada tema exige uma tese argumentável, dois argumentos e repertório explicado.

  • ➢ O recorte aparece em palavras como “desafios”, “caminhos”, “condicionado” e “no Brasil”.

  • ➢ Conceitos como liberdade, reparação e proteção se repetem e podem ser reaproveitados.

  • ➢ Poucos autores bem explicados valem mais do que muitos citados sem análise.

  • ➢ O treino ideal tem dois temas por semana e uma redação completa a cada quinzena.

Conclusão

Os dez temas desta lista treinam o raciocínio que a FCC cobra. Eles exigem definir um conceito, escolher uma posição e sustentá-la com argumentos conectados ao recorte. Não é preciso adivinhar a prova para estudar bem. Basta dominar o método e os conceitos que se repetem.

Comece pela família que você considera mais difícil e produza um projeto de texto para cada tema. Depois, escreva uma redação completa e corrija-a com os critérios da banca. Esse ciclo, repetido com regularidade, constrói segurança para qualquer proposta.

Conheça os nossos cursos completos de redação para concursos públicos. Clique aqui

Gostou do conteúdo?

Se este texto ajudou, compartilhe com um colega que estuda para a FCC. Agora, uma pergunta para você. Entre os dez temas, qual deles você teria mais dificuldade de defender com uma tese própria? Comece o seu treino por ele.

Leia também

➢ Temas de redação FCC que a banca já cobrou

➢ Repertório na redação FCC e como usá-lo

➢ Redação FCC sem frase temática: como entender o tema

Referências

ARENDT, Hannah. *A condição humana*. Trad. Roberto Raposo. 11. ed. Rio de Janeiro: Forense Universitária, 2010.

ARISTÓTELES. *Política*. Trad. Mário da Gama Kury. Brasília: Editora Universidade de Brasília, 1985.

BRASIL. *Constituição da República Federativa do Brasil de 1988*. Brasília, DF: Presidência da República, 1988.

BRASIL. *Lei nº 8.069, de 13 de julho de 1990*. Dispõe sobre o Estatuto da Criança e do Adolescente. Brasília, DF: Presidência da República, 1990.

CANDIDO, Antonio. O direito à literatura. In: CANDIDO, Antonio. *Vários escritos*. 3. ed. São Paulo: Duas Cidades, 1995.

CARSON, Rachel. *Silent spring*. Boston: Houghton Mifflin, 1962.

FREUD, Sigmund. *O mal-estar na civilização*. Trad. Paulo César de Souza. São Paulo: Companhia das Letras, 2010.

GALTUNG, Johan. Violence, peace, and peace research. *Journal of Peace Research*, v. 6, n. 3, p. 167-191, 1969.

GHOSH, Amitav. *The great derangement*: climate change and the unthinkable. Chicago: University of Chicago Press, 2016.

KANT, Immanuel. *Ideia de uma história universal de um ponto de vista cosmopolita*. Trad. Rodrigo Naves e Ricardo R. Terra. São Paulo: Brasiliense, 1986.

MORIN, Edgar. *Os sete saberes necessários à educação do futuro*. Trad. Catarina Eleonora F. da Silva e Jeanne Sawaya. São Paulo: Cortez; Brasília: UNESCO, 2000.

ORGANIZAÇÃO DAS NAÇÕES UNIDAS. Assembleia Geral. *Resolução 53/243*: Declaração e Programa de Ação sobre uma Cultura de Paz. Nova York, 1999.

POSTMAN, Neil. *O desaparecimento da infância*. Trad. Suzana Menescal de A. Carvalho e José Laurenio de Melo. Rio de Janeiro: Graphia, 1999.

ROSA, Hartmut. *Aceleração*: a transformação das estruturas temporais na modernidade. Trad. Rafael H. Silveira. São Paulo: Editora Unesp, 2019.

SANTOS, Boaventura de Sousa. Para além do pensamento abissal: das linhas globais a uma ecologia de saberes. *Novos Estudos CEBRAP*, São Paulo, n. 79, p. 71-94, 2007.

SARTRE, Jean-Paul. O existencialismo é um humanismo. In: *Os pensadores*. Trad. Rita Correia Guedes. São Paulo: Abril Cultural, 1973.

SCHWARTZ, Barry. *The paradox of choice*: why more is less. New York: Ecco, 2004.

ZUBOFF, Shoshana. *A era do capitalismo de vigilância*: a luta por um futuro humano na nova fronteira do poder. Trad. George Schlesinger. Rio de Janeiro: Intrínseca, 2020.

Prof. Ari

Professor de redação para concursos e responsável pela correção da Minha Discursiva.

Para ler depois