
Infodemia: um excelente conceito para sua redação de concurso
Resposta rápida
Infodemia na redação é tema que pede relação entre excesso de informação e conhecimento. Veja o conceito da OMS, repertórios e erros a…
Infodemia na redação: como usar o tema na prova
A infodemia na redação aparece quando a banca pede ao candidato que relacione o excesso de informação à construção do conhecimento. O tema parece simples, mas muitos textos o reduzem a fake news e perdem pontos por tangenciamento. Depois da leitura, você vai saber explicar o conceito, interpretar uma coletânea sobre o assunto e montar um texto com tese, argumentos e repertórios adequados.
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O que é infodemia e por que o tema aparece em prova?
O leitor que pesquisa “infodemia” quer saber o que a palavra significa e como usá-la em um texto dissertativo. A resposta começa pelo conceito. Em seguida, envolve o motivo de a banca cobrar o assunto, que reúne tecnologia, educação, ciência e cidadania em um único recorte.
Definição de infodemia segundo a OMS
Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), a infodemia é o excesso de informações, entre elas as falsas ou enganosas, em ambientes digitais e físicos (ORGANIZAÇÃO MUNDIAL DA SAÚDE, [2020]). O conceito se popularizou durante a pandemia de covid-19. Nessa época, a quantidade de notícias, boatos e orientações dificultou a busca por fontes confiáveis. A palavra une “informação” e “epidemia” para indicar que o conteúdo se espalha em grande volume e em pouco tempo.
A definição não restringe a infodemia à mentira. Informações verdadeiras também fazem parte do fenômeno quando se acumulam em tal quantidade que o leitor não consegue selecionar, comparar e compreender. O problema central, portanto, é a dificuldade de se informar bem. Essa formulação deve orientar todo o texto do candidato.
Origem da palavra e uso em português
A Academia Brasileira de Letras incluiu o termo no dicionário da língua portuguesa, o que indica seu uso corrente no país (HARADA, 2021). Para a redação, essa inclusão importa por um motivo prático. A palavra deixou de ser jargão da área da saúde e passou a nomear um fenômeno social, o que explica sua presença em coletâneas de prova.
Diferença entre infodemia e desinformação
Desinformação é a informação falsa difundida para enganar. Infodemia descreve o excesso, que pode incluir conteúdo verdadeiro, impreciso e falso. Os conceitos se relacionam, mas não se confundem. Muitos candidatos acreditam que infodemia é apenas outro nome para fake news. Essa percepção é equivocada e leva ao tangenciamento. O candidato deixa de fora o ponto central da proposta, isto é, a relação entre o volume de informação e a formação do conhecimento.
Há ainda uma consequência prática. Se o texto trata a infodemia só como mentira, a solução parece óbvia, pois bastaria punir quem divulga. Quando o texto reconhece que o excesso também prejudica, as soluções ficam mais variadas, como ensinar a selecionar fontes, organizar o tempo de leitura e valorizar referências confiáveis. Essa ampliação demonstra compreensão do tema e sustenta argumentos mais ricos.
Por que a banca escolhe o tema da infodemia?
O assunto permite avaliar três habilidades ao mesmo tempo. A primeira é a interpretação de uma coletânea com textos de gêneros diferentes, como notícia, tirinha e artigo. A segunda é a delimitação do recorte, que exige relacionar duas ideias. A terceira é a argumentação com repertório, já que o tema admite contribuições da filosofia, da sociologia, da psicologia e da ciência.
Como ler a proposta de redação sobre infodemia
Numa prova anterior de um processo seletivo de ensino superior, a banca apresentou uma coletânea de quatro textos. Pediu uma redação dissertativo-argumentativa sobre o tema “Infodemia na era da internet: entre o excesso de informação e a construção do conhecimento”. Observe a proposta.
Proposta de redação sobre infodemia, com a coletânea e o tema.
O que cada texto de apoio apresenta
O primeiro texto define a infodemia como o aumento excessivo do volume de informações, falsas e verdadeiras, que dificulta a busca por fontes e orientações confiáveis. A tirinha, por sua vez, estabelece que a quantidade de informação não garante a qualidade do que se sabe. O terceiro texto adota uma perspectiva favorável, ao destacar que a internet ampliou o acesso à informação e a inclusão, ainda que reconheça “desafios”.
O quarto texto alerta para os efeitos mentais negativos do consumo excessivo de informações de baixa qualidade. Um filósofo citado nele teme uma “morte do pensamento” e indica como remédio a seletividade no consumo. Assim, três textos sustentam o diagnóstico do problema e um deles abre espaço para a visão otimista.
Os quatro textos da coletânea ligados ao tema central.
Como aproveitar o texto otimista
O texto que celebra o acesso à informação costuma ser ignorado. Esse descuido enfraquece a redação. A perspectiva otimista fornece a concessão, recurso que reconhece o valor do argumento contrário antes de refutá-lo. Por exemplo, o candidato admite que a internet democratizou o acesso a artigos, videoaulas e notícias. Em seguida, demonstra que o acesso, por si só, não garante compreensão.
Dessa forma, o texto ganha equilíbrio e evita a visão unilateral. A concessão também ajuda a construir a tese, porque mostra que o candidato considerou os dois lados da questão.
Relação entre os textos de apoio e a tese
Os textos de apoio oferecem ideias, mas a banca avalia a posição do candidato. Por isso, a tese precisa afirmar algo sobre a relação pedida. Considere esta formulação. O excesso de informação só contribui para a construção do conhecimento quando há seleção, leitura crítica e referências confiáveis. Observe que a frase usa as duas ideias do tema e indica as condições para que elas se conectem. Essa é a função de uma boa tese.
Na prova. Leia a coletânea duas vezes. Sublinhe as palavras “excesso” e “conhecimento”. Use pelo menos dois textos de apoio sem copiá-los.
Como delimitar o recorte temático da infodemia
O recorte temático é a parte do assunto que a banca quer ver desenvolvida. Na proposta, o assunto é a infodemia na era da internet. O recorte aparece depois dos dois-pontos do enunciado e estabelece uma relação entre excesso de informação e construção do conhecimento. Um texto que trate apenas de fake news ou apenas de tecnologia não responde ao que foi pedido.
O recorte do tema em destaque.
O que significa excesso de informação
O excesso de informação envolve volume, velocidade e mistura de fontes. Há mais conteúdo do que uma pessoa consegue ler e há pouco tempo para conferir a origem de cada item. Além disso, conteúdos confiáveis e duvidosos aparecem lado a lado e com a mesma aparência. Esse conjunto de fatores reduz a capacidade de julgar o que merece atenção.
O que significa construção do conhecimento
A construção do conhecimento é o processo pelo qual a pessoa transforma informações em compreensão. Ela exige seleção, confronto de fontes, leitura crítica e tempo para elaborar ideias. Por isso, informação e conhecimento não são sinônimos. A informação é o material. O conhecimento resulta do trabalho de interpretar, comparar e relacionar esse material.
A palavra “entre” no enunciado
A palavra “entre” pede que o candidato relacione as duas ideias. Um teste simples confirma se o texto cumpre esse comando. Em cada parágrafo de desenvolvimento, procure uma frase que mencione o excesso de informação e outra que mencione o conhecimento. Se uma das duas ideias estiver ausente, o parágrafo provavelmente tangenciou o recorte.
Há duas formas de relacionar as ideias. A primeira mostra que o excesso prejudica o conhecimento, ao reduzir o tempo de reflexão. A segunda mostra que o acesso amplo pode favorecer o conhecimento, desde que haja critérios de seleção. A segunda forma costuma gerar textos mais completos, pois dialoga com o texto otimista da coletânea.
Exemplo de recorte mal delimitado e bem delimitado
Considere dois parágrafos de desenvolvimento. O primeiro afirma que as notícias falsas prejudicam a política. O segundo afirma que o excesso de notícias, falsas e verdadeiras, reduz o tempo de leitura crítica e, por isso, prejudica a formação de opiniões fundamentadas. O primeiro fala de falsidade e de política. O segundo fala de volume e de conhecimento, que é o recorte pedido. Essa diferença explica por que o segundo parágrafo atende melhor à proposta.
Causas da infodemia para usar como argumento
As causas da infodemia fornecem argumentos prontos para o desenvolvimento. Cada causa explica por que o excesso de informação prejudica a construção do conhecimento. Escolha duas e desenvolva cada uma em um parágrafo, com repertório e relação direta com a tese.
Seis causas da infodemia.
Volume e velocidade de circulação
O filósofo Jean Baudrillard associa a sociedade contemporânea ao aumento da informação e à perda de sentido (BAUDRILLARD, 1991). Quando o volume cresce, diminui o tempo para processar cada conteúdo. Nietzsche (1998) associa a leitura atenta ao ato de ruminar, isto é, retomar o texto com calma e repetidas vezes. A internet acelera o consumo e dificulta essa retomada. Assim, o leitor reproduz o que viu sem compreender a origem.
Ausência de filtro e enxame digital
Antes das redes sociais, publicar exigia a aprovação de editores e revisores. Com as redes sociais, qualquer pessoa com um aparelho conectado produz conteúdo e alcança público. Byung-Chul Han (2018) descreve o enxame digital como um conjunto de indivíduos sem coerência própria, cuja comunicação é percebida como ruído. Em outras palavras, muitas vozes falam ao mesmo tempo e o leitor perde a referência sobre em quem confiar.
Infoentretenimento e simplificação
Guy Debord (1997) analisou a sociedade do espetáculo, em que as relações sociais passam a ser mediadas por imagens. Nesse contexto, a informação precisa competir por atenção e tende a ser apresentada de forma mais atraente do que precisa. A verdade científica, que é complexa e provisória, perde espaço para explicações simples e rápidas.
Essa preferência pela simplicidade se relaciona ao efeito Dunning-Kruger, descrito por psicólogos da Universidade Cornell. Segundo Dunning e Kruger, pessoas com pouca competência em uma área tendem a superestimar o que sabem, pois lhes falta a habilidade para avaliar a própria limitação (1999). Quem aprende uma versão simplificada pode se sentir apto a reproduzi-la.
Crise de confiança nas referências
O historiador Richard Hofstadter (1964) descreveu o estilo paranoide na política, marcado pela suspeita excessiva e pela interpretação conspiratória dos fatos. Quando a desconfiança se generaliza, cientistas, jornalistas e instituições deixam de funcionar como referência. Sem referências, a pessoa tende a valorizar a própria opinião e a de quem pensa como ela. Esse mecanismo enfraquece a construção do conhecimento.
Na prova. Escolha duas causas, relacione cada uma ao excesso de informação e conclua o parágrafo com o efeito sobre o conhecimento.
Consequências da infodemia para a sociedade
As consequências formam o segundo conjunto de argumentos possíveis. Elas mostram por que o problema merece atenção e permitem ligar o tema à saúde, à democracia e à educação. Observe como o excesso de informação pode se reforçar ao longo do tempo.
Ciclo de agravamento da infodemia.
Efeitos sobre a saúde pública
A OMS trata a infodemia como um desafio de saúde pública, porque o excesso de informações confusas pode alterar comportamentos durante emergências sanitárias (ORGANIZAÇÃO MUNDIAL DA SAÚDE, [2020]). Quando a pessoa não distingue uma orientação confiável de um boato, pode adiar um tratamento ou adotar uma prática ineficaz. Esse efeito explica por que o conceito nasceu na área da saúde.
Efeitos sobre a democracia
A Organização das Nações Unidas (ONU) afirma que a desinformação alimenta conflitos e ameaça a democracia e os direitos humanos. Segundo a organização, ela também compromete a saúde pública e a ação climática (UNRIC, 2024). A democracia depende de cidadãos capazes de comparar propostas e avaliar fatos. Quando o debate público se enche de conteúdo contraditório, a participação consciente fica mais difícil.
Efeitos sobre o pensamento crítico
O quarto texto da coletânea cita o risco de uma “morte do pensamento”, associada ao consumo de informações rasas. Esse risco se liga ao ciclo de agravamento. A leitura superficial reduz a checagem. A falta de checagem favorece o compartilhamento de conteúdo duvidoso. Por sua vez, a dúvida generalizada enfraquece as referências. Assim, o excesso de informação passa a produzir menos conhecimento.
O texto cita ainda efeitos sobre a cultura e a escola. Entre eles estão o fechamento de livrarias e editoras e a menor produção de obras que estimulam o pensamento crítico. Também menciona a redução de disciplinas como filosofia, sociologia e artes. Esses efeitos permitem ampliar o argumento para a educação. Um parágrafo pode mostrar que, sem espaço para leitura e debate, a sociedade perde a capacidade de avaliar informações.
Como escolher a consequência a desenvolver?
Escolha a que melhor se liga à causa apresentada no parágrafo anterior. Se a causa for a ausência de filtro, desenvolva o efeito sobre a democracia. Se a causa for o volume e a velocidade, desenvolva o efeito sobre o pensamento crítico. Essa correspondência dá coesão e progressão ao texto.
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Como enfrentar a infodemia na redação
Uma redação convincente não apenas descreve o problema. Ela indica caminhos para enfrentá-lo e mostra quem pode agir. Quando a banca pedir uma solução, a resposta ganha força se relacionar cada agente a uma ação concreta, em vez de recorrer a expressões genéricas como “conscientizar a população”.
Agentes que enfrentam a infodemia e suas ações.
Educação midiática na escola
A escola pode ensinar a avaliar a origem de uma informação, a identificar o autor, a comparar versões e a reconhecer o sensacionalismo. Essa formação desenvolve a seletividade que o quarto texto da coletânea indica como remédio. A escola também pode treinar a comparação entre fontes diferentes sobre o mesmo fato, o que mostra na prática por que uma única versão raramente basta. Em um texto, a proposta pode envolver a inclusão de atividades de leitura crítica de notícias no currículo e a capacitação dos professores.
Papel do Estado e das plataformas
A ONU publicou os Princípios Globais para a Integridade da Informação, organizados em cinco eixos (ORGANIZAÇÃO DAS NAÇÕES UNIDAS, 2024):
➜ confiança e resiliência social
➜ incentivos saudáveis
➜ capacitação pública
➜ mídia independente, livre e plural
➜ transparência e pesquisa
Esses eixos sugerem ações para governos e plataformas digitais, como dar transparência aos algoritmos e apoiar o jornalismo independente. O candidato pode mencionar o documento como repertório e relacionar um dos eixos a uma proposta.
Responsabilidade do cidadão
O cidadão também atua na solução. Antes de compartilhar um conteúdo, ele pode verificar a data, a fonte e a autoria. Esse hábito reduz a circulação de conteúdo duvidoso e valoriza a leitura completa. Para evitar o tangenciamento, vale relacionar essa ação ao objetivo central do tema, que é transformar informação em conhecimento.
Como escrever a proposta de solução
Uma proposta completa indica quem age, o que faz, por qual meio e com qual finalidade. Por exemplo, o Ministério da Educação pode incluir a educação midiática no currículo da educação básica. Para isso, deve atuar em parceria com universidades e instituições de pesquisa. As atividades envolvem checagem de fontes e leitura crítica, a fim de formar estudantes capazes de transformar informação em conhecimento. Observe que a finalidade retoma a relação pedida pelo tema.
Na prova. Nomeie o agente, descreva a ação e explique a finalidade. Evite verbos vagos como “melhorar” e “conscientizar” sem indicar o meio.
Repertórios para a redação sobre infodemia
O repertório é o conhecimento externo que sustenta um argumento. Para o tema da infodemia, obras e instituições diversas oferecem ideias úteis. Cada uma deve aparecer ligada a um argumento e à tese, nunca solta no texto.
Repertórios para a redação sobre infodemia.
Como relacionar cada repertório ao argumento
Cada repertório tem uma ideia central e um uso possível no texto. Observe que cada linha liga uma ideia a uma função no argumento. Essa ligação transforma o nome de um autor em fundamento da tese.
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Repertório |
Ideia central |
Uso no texto |
|---|---|---|
|
Organização Mundial da Saúde |
Infodemia como excesso de informação, falsa e verdadeira |
Definir o conceito na introdução |
|
Jean Baudrillard |
Mais informação e menos sentido |
Explicar a perda de compreensão |
|
Byung-Chul Han |
Enxame digital e comunicação sem coerência |
Explicar a ausência de filtro |
|
Guy Debord |
Sociedade do espetáculo |
Explicar a simplificação da informação |
|
Dunning e Kruger |
Superestimação do próprio saber |
Explicar a replicação de conteúdo simplificado |
|
ONU |
Princípios para a integridade da informação |
Fundamentar a solução |
Cuidados ao citar autores
Cite apenas o que você domina. Uma citação equivocada prejudica a avaliação e revela fragilidade de repertório. Em caso de dúvida, prefira parafrasear a ideia e atribuí-la ao autor, sem inventar frases ou datas. Prefira repertórios que você consiga explicar em duas ou três frases. Também evite empilhar nomes. Um repertório bem explicado vale mais do que vários citados de forma superficial.
Há ainda um cuidado de conteúdo. Os repertórios devem apoiar a argumentação sem substituir a posição do candidato. A banca avalia a autoria, isto é, a capacidade de usar a ideia alheia para sustentar a própria tese. Por isso, depois de citar um autor, explique em uma ou duas frases como a ideia se aplica à infodemia.
Repertório de apoio vindo da própria coletânea
Os textos de apoio também fornecem repertório. A definição da OMS, que aparece no primeiro texto, serve para abrir o texto. A ideia de seletividade, citada no quarto, serve para fundamentar a solução. Use essas informações por paráfrase e atribua cada uma à fonte, sem copiar trechos. Assim, o candidato mostra que leu a coletânea e que sabe incorporá-la ao próprio argumento.
Para conhecer repertórios organizados por tema, consulte os temas comentados da plataforma.
Como planejar a redação e escrever a introdução
O planejamento evita o tangenciamento e economiza tempo na prova. Ele se organiza em seis etapas, da leitura da coletânea à revisão final.
Planejamento da redação em seis etapas.
Passo a passo do projeto de texto
Primeiro, leia a coletânea e identifique a ideia de cada texto. Depois, delimite o recorte e formule a tese em uma frase. Em seguida, escolha dois argumentos e um repertório para cada um. Por fim, escreva e reserve alguns minutos para revisar a norma-padrão, a coesão e a ligação de cada parágrafo ao tema.
Destine os primeiros minutos ao projeto de texto, com tema, tese e argumentos em tópicos. Esse planejamento evita que a introdução prometa o que o desenvolvimento não cumpre. Esse roteiro vale para qualquer proposta, inclusive a da infodemia. Para aprofundar a abertura do texto, consulte o artigo sobre como começar uma redação.
Introdução fraca e introdução adequada
Considere duas versões de introdução. A primeira foi construída para comparação.
Versão fraca (construída para comparação). A internet tem muitas fake news. Elas enganam as pessoas e causam problemas. O governo deve acabar com as mentiras na internet.
Versão adequada. Segundo Jean Baudrillard, o aumento da quantidade de informação acompanha a perda de sentido. Esse diagnóstico se aplica à infodemia, definida pela Organização Mundial da Saúde como o excesso de informações, verdadeiras e falsas, que dificulta a identificação de fontes confiáveis. Nesse cenário, o excesso de informação prejudica a construção do conhecimento, pois reduz o tempo de leitura crítica e enfraquece a confiança em referências. Assim, a ausência de filtro e o apelo ao entretenimento explicam o problema.
A diferença pode ser resumida em uma frase. A versão fraca fala de mentira. A versão adequada fala da relação entre informação e conhecimento. Na versão adequada, o primeiro período traz o repertório, o segundo define o conceito, o terceiro apresenta a tese e o quarto anuncia os argumentos. Esse encadeamento mostra ao examinador, logo no início, que o candidato compreendeu o recorte.
Comparação entre a introdução fraca e a adequada.
Erros que levam ao tangenciamento no tema infodemia
O tangenciamento ocorre quando o texto trata de um assunto próximo ao tema, mas não desenvolve o recorte pedido. No caso da infodemia, os desvios mais comuns se relacionam à redução do conceito e à ausência da relação com o conhecimento. Observe a ordem dos erros, do mais grave ao menos grave.
Gravidade qualitativa dos desvios em relação ao tema.
Reduzir a infodemia a fake news
Esse erro tem origem na associação automática entre infodemia e mentira. O texto fala apenas de mentiras e de punição, sem mencionar o excesso nem o conhecimento. A solução é incluir, em cada parágrafo, a relação entre volume de informação e compreensão. Também ajuda definir o conceito com as palavras da OMS logo na introdução.
Ignorar a construção do conhecimento
Outro desvio é discutir apenas o excesso de informação. Nesse caso, o texto descreve o problema, mas não explica como ele afeta a formação do saber. Acrescente uma pergunta orientadora. O que dificulta transformar informação em conhecimento? A resposta, que envolve seleção, tempo e referências, completa o recorte.
Argumentos genéricos e propostas vagas
Um terceiro desvio é escrever argumentos que serviriam para qualquer tema. Frases como “a internet trouxe problemas” ou “a educação é importante” não demonstram compreensão da proposta. Para evitar esse problema, retome no início de cada parágrafo uma palavra do recorte, como “excesso”, “seleção” ou “conhecimento”. Em seguida, explique a relação com um dado, um autor ou um exemplo concreto.
Mais erros frequentes e o que fazer
Cada desvio comum tem uma correção correspondente.
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Evite |
Prefira |
|---|---|
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Tratar a internet como vilã absoluta |
Reconhecer o acesso ampliado e mostrar a condição para que gere conhecimento |
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Citar repertório sem explicar a ideia |
Explicar o repertório e ligá-lo à tese |
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Propor “conscientização” sem agente nem ação |
Indicar agente, ação e finalidade |
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Copiar trechos da coletânea |
Parafrasear e usar os textos como apoio |
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Ignorar o texto otimista |
Usar a concessão e refutá-la com argumento |
Antes de entregar o texto, releia a tese e verifique se ela cita o excesso de informação e o conhecimento. Se alguma das duas ideias faltar, ajuste a tese e os tópicos frasais.
Em temas polêmicos, a banca avalia a fundamentação do texto. A posição escolhida importa menos. Por isso, apresente posições defensáveis e sustente cada uma com razões e repertório.
Principais pontos
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➜ Infodemia é o excesso de informação, verdadeira e falsa, que dificulta encontrar fontes confiáveis.
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➜ O tema pede a relação entre excesso de informação e construção do conhecimento.
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➜ Tratar a infodemia apenas como fake news provoca tangenciamento.
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➜ As causas mais úteis são o volume e a velocidade, a ausência de filtro, o infoentretenimento e a crise de confiança.
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➜ O texto otimista da coletânea fornece a concessão que equilibra a tese.
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➜ Cada repertório deve estar ligado a um argumento e explicado em uma ou duas frases.
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➜ A solução ganha força quando relaciona agentes a ações concretas, como escola, Estado, plataformas e cidadão.
Conclusão
A infodemia na redação exige mais do que a denúncia das notícias falsas. O candidato precisa compreender que o excesso de informação, mesmo quando inclui conteúdo verdadeiro, dificulta a seleção, a comparação e a reflexão que sustentam o conhecimento. Esse é o recorte que a banca pede quando coloca as duas ideias em relação no enunciado. Dessa forma, o texto demonstra domínio do conceito, leitura atenta da coletânea e autoria.
Para escrever um bom texto, defina o conceito com base na OMS, use a coletânea como apoio e escolha duas causas ou consequências para desenvolver. Cada argumento deve vir acompanhado de um repertório explicado e ligado à tese. A concessão ao texto otimista dá equilíbrio. A proposta de solução deve indicar agentes e ações concretas.
O treino faz diferença na aplicação dessas orientações. Escreva sobre o tema, compare seu texto com os critérios apresentados e revise a relação entre informação e conhecimento em cada parágrafo. A correção por um profissional também ajuda, porque aponta os trechos em que o texto se afasta do recorte e indica como ajustá-los. Com prática e correção, a redação evolui de forma consistente. Para continuar a preparação, conheça os recursos da Plataforma Minha Discursiva, que reúne correção de redações, banco de temas e cursos.
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Perguntas frequentes sobre infodemia na redação
O que é infodemia?
É o excesso de informações, verdadeiras e falsas, que dificulta encontrar fontes confiáveis. A OMS popularizou o termo durante a pandemia de covid-19. A palavra consta do dicionário da língua portuguesa.
Infodemia é o mesmo que fake news?
Os conceitos se relacionam, mas não coincidem. Fake news são conteúdos falsos divulgados como se fossem notícia. A infodemia descreve o excesso de informação, que pode incluir conteúdo verdadeiro, impreciso e falso.
Como relacionar o excesso de informação à construção do conhecimento?
Mostre que o conhecimento depende de seleção, confronto de fontes e tempo de reflexão. O excesso de informação reduz esse tempo e dificulta a seleção, o que prejudica a compreensão.
Posso usar a pandemia de covid-19 como exemplo?
Sim, pois o conceito se popularizou nesse contexto. Evite, porém, limitar o texto à saúde. Amplie a discussão para a política, a educação e o debate público, que também sofrem os efeitos do excesso de informação.
Quais repertórios usar em uma redação sobre infodemia?
Podem ser usados a definição da OMS, Baudrillard, Byung-Chul Han, Guy Debord, o efeito Dunning-Kruger e os Princípios Globais da ONU para a Integridade da Informação. Escolha um por argumento e explique como a ideia se aplica ao tema.
Qual tese posso defender sobre infodemia?
Uma tese possível afirma que o excesso de informação só favorece o conhecimento quando há seleção, leitura crítica e referências confiáveis. Outra defende que a infodemia enfraquece o pensamento crítico e exige educação midiática.
Preciso apresentar proposta de solução?
Depende do comando da prova. Quando a solução for pedida, indique agente, ação, meio e finalidade. Quando não for pedida, concentre o texto no desenvolvimento dos argumentos e na relação entre informação e conhecimento.
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Referências
BAUDRILLARD, Jean. Simulacros e simulação. Lisboa: Relógio d’Água, 1991.
DEBORD, Guy. A sociedade do espetáculo. Rio de Janeiro: Contraponto, 1997.
DUNNING, David; KRUGER, Justin. Unskilled and unaware of it: how difficulties in recognizing one’s own incompetence lead to inflated self-assessments. Journal of Personality and Social Psychology, v. 77, n. 6, p. 1121-1134, 1999.
HAN, Byung-Chul. No enxame: perspectivas do digital. Petrópolis: Vozes, 2018.
HARADA, Eduardo Yukio. “Infodemia”: entenda novo termo do dicionário da língua portuguesa. TecMundo, 8 ago. 2021. Disponível em: https://www.tecmundo.com.br/ciencia/222592-infodemia-entenda-novo-termo-dicionario-lingua-portuguesa.htm. Acesso em: 2 nov. 2026.
HOFSTADTER, Richard. The paranoid style in American politics. Harper’s Magazine, nov. 1964.
MINHA DISCURSIVA. Temas comentados. Disponível em: https://minhadiscursiva.com/temas. Acesso em: 2 nov. 2026.
MINHA DISCURSIVA. Como começar uma redação da banca FCC: 5 passos. Disponível em: https://minhadiscursiva.com/blog/como-comecar-uma-redacao-da-banca-fcc-5-passos/. Acesso em: 2 nov. 2026.
NIETZSCHE, Friedrich. Genealogia da moral. São Paulo: Companhia das Letras, 1998.
ORGANIZAÇÃO DAS NAÇÕES UNIDAS. Princípios Globais das Nações Unidas para a Integridade da Informação. Nova York: ONU, 2024. Disponível em: https://brasil.un.org/pt-br/274644-princ%C3%ADpios-globais-para-integridade-da-informa%C3%A7%C3%A3o. Acesso em: 2 nov. 2026.
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UNRIC. ONU lança Princípios Globais para a Integridade da Informação. Disponível em: https://unric.org/pt/onu-lanca-principios-globais-para-a-integridade-da-informacao/. Acesso em: 2 nov. 2026.










